Relatos de Experiência

Os Relatos de Experiência são de responsabilidade de seus respectivos autores. O Instituto Arte na Escola propõe sua leitura como fonte de pesquisa para o professor.

A invasão dos monstros

Desde o início deste ano, as histórias de monstros eram as preferidas dos alunos da Educação Infantil da EMI Candinha Massei Fedato, em São Caetano do Sul (SP). Livros como "Vai embora, grande monstro verde!", "Como reconhecer um monstro" e "Quando mamãe virou um monstro" foram se integrando ao repertório dos pequenos e, em pouco tempo, figuravam entre os "mais lidos".
Logo muitos monstros começaram a surgir nos desenhos das crianças: aos três anos eles estão saindo das garatujas e começando a dar forma aos seus desenhos, e esses “personagens” apareceram como um elo muito interessante nesta transição. A partir de conversas com o grupo planejei as ações, que começaram em junho deste ano e ainda estão em andamento.
Temos 24 alunos, e para realizar as atividades, sempre utilizamos pequenos grupos, para que aproveitem melhor o tempo, espaço e materiais. Essa divisão é boa também para os educadores, que conseguem estar mais próximos e ouvir preciosidades que podem ajudar no caminho a ser percorrido.
A proposta foi explorar as possibilidades do desenho – tamanho, linhas, formas, proporção – e dar visibilidade aos trabalhos em diferentes espaços expositivos.

Monstros Gigantes
Ofereci um grande pedaço de papel kraft, pincel e tinta preta e conversamos sobre como usar aquele material para desenhar um monstro. Em pequenos grupos, e com o papel grudado sobre uma parede, as crianças começaram a trabalhar. Com linhas que exploravam o tamanho do papel, monstros e histórias foram surgindo: "Meu monstro sobe no telhado e tem pernas enormes". "O meu chama Coner e faz muito barulho quando anda." "O meu aparece na hora do almoço e come a comida das crianças”.
As próprias crianças escolheram onde queriam que seus “monstros” fossem expostos: no teto, nas paredes, nas portas... As criaturas ocuparam cantos inusitados! Registramos o nome e a história de cada monstro, e fizemos plaquinhas de identificação para acompanhar a mostra.

Máscaras de monstros
Conversamos com as crianças sobre como poderíamos parecer um monstro de verdade – surgiu, então, a ideia de fazer máscaras. Posicionei um pedaço de cartolina branca sobre o meu rosto e expliquei sobre a proporcionalidade do desenho para que o papel se transformasse em máscara. Munidas de cartolina e caneta hidrocor, as crianças criaram as suas com muitos olhos, muitas bocas, muitos bigodes e antenas. Coube a nós, professores, a finalização: recortar os desenhos e o buraco para os olhos, além de colocar os elásticos. Todas as crianças se transformaram em monstros e se divertiram percorrendo a escola. Quando alguém se mostrava muito “assustado”, eles levantavam as máscaras e diziam: "Calma, é só a gente!"
A atividade ainda está em andamento. Estamos agora ampliando o repertório de monstros por meio de filmes e livros. Os próximos encaminhamentos serão construídos junto com as crianças.
O acompanhamento do professor aos pequenos grupos de alunos é o grande facilitador do processo de avaliação. Estar junto aos alunos é fundamental para compreender o processo de criação de cada um, e o registro por meio de fotografias ajuda a tornar visível este processo.
Os desenhos tomaram formas incríveis: surpreendi-me com as formas muito elaboradas de crianças que estavam na garatuja. O tema, bem como as orientações dadas, possibilitaram que eles explorassem suas linhas com autenticidade. Eu aprendi muito com os alunos: a importância de ouvi-los cada vez mais e trazer propostas que dialoguem com seus repertórios.

Refleti muito sobre o desenho que as crianças querem fazer e o que os adultos esperam que elas façam. Será que as crianças desenham garatujas por que ainda "não sabem" desenhar, ou por opção? Quanto a expectativa dos adultos sobre as formas do desenho interfere diretamente nessas produções? Estou neste percurso com muitas perguntas sobre as crianças, as criações e os adultos.

Registros da minha vivência

  • A invasão dos monstros 4
  • A invasão dos monstros 2
  • A invasão dos monstros 0
  • A invasão dos monstros 1
  • A invasão dos monstros 3
  • A invasão dos monstros 5
  • A invasão dos monstros 7
  • A invasão dos monstros 9
  • A invasão dos monstros 8
  • A invasão dos monstros 6

 
    

 
    

 
    

Referências bibliográficas

EMBERLEY, Ed. Vai embora, grande monstro verde!. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo: Brinque-Book, 2009.
HARRISON, Joanna. Quando mamãe virou um monstro. São Paulo: Brinque-Book, 1996.
MÈREDIEU, Florence de. O desenho infantil. Trad. Álvaro Lorencini e Sandra M. Nitrini. São Paulo: Cultrix, 2006.
ROLDÁN, Gustavo. Como reconhecer um monstro. São Paulo: Frase e Efeito - Selo Jujuba, 2011.
SENDAK, Maurice. Onde vivem os monstros. Trad. Heloisa Jahn. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

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  • LUAMY CONQUE, 10:33 - 24/09/2015
    "Parabéns! Eu achei incrivel ... Podendo articular o projeto tornando-o interdisciplinar. Obrigada por compartilhar. Tive otimas ideias!"

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