Sala de Leitura
Artigos

Os Artigos aqui apresentadas são de responsabilidade de seus respectivos autores. O Instituto Arte na Escola propõe sua leitura como fonte de pesquisa e estudo.

As pesquisas em educação artística e as metodologias artísticas de pesquisa em educação: temas, tendências e olhares

 

Resumo – O objetivo desse trabalho é oferecer uma descrição visual e escrita de alguns   problemas e teorias, de algumas das pesquisadoras e pesquisadores, e dos achados e resultados, tanto no panorama internacional quanto no contexto das universidades espanholas, das pesquisas que estão acontecendo hoje na área da Educação Artística. Eu tenho desenvolvido uma quíntupla abordagem. Primeiro eu apresento uma síntese dos temas da pesquisa que com maior frequência aparecem nos principais manuais de pesquisa publicados sobre Educação Artística. Em segundo lugar, observo os temas de pesquisa mais urgentes e emergentes, sobre os que as associações profissionais de maior relevância internacional têm insistido. Terceiro, eu coloco em destaque algumas das principais revistas de pesquisa especializadas em Educação Artística. Quarto, eu apresento uma nova e muito controversa aproximação de pesquisa que tem origem na área da Educação Artística: as (MAPE) Metodologias Artísticas de Pesquisa em Educação [Arts based Educational Research]. Para finalizar, eu apresento uma série de fotografias descritivo-interpretativa que contem vinte nove retratos do olhar de professionais da formação do olhar artístico, trabalhando em seminários, congressos e salas, durante os últimos sete anos.

 

Palavras chave – pesquisa em educação artística, metodologias de pesquisa educativa baseadas nas artes visuais; série fotográfica descritiva

 

Abstract – The aim of this paper is to provide a visual and written description of some problems and theories, authors, findings and results, both on the international scene and in the context of Spanish universities, being carried out currently in the field of Art Education Research. I used a five-fold approach. First, I present a synthesis of research issues that most frequently appear in published research leading textbooks on Art Education. Secondly, I show the most pressing and emerging research issues, on which professional international associations in Art Education insisted actually. Thirdly, I outline some of the major research journals specializing in Art Education. Fourth, Finally, I present a new and highly controversial research approach emerged in the territory of Art Education: Arts based Educational Research (AbER). Finally, I present a photo series composed by twenty-nine interpretive descriptive portraits of the look of professionals of the training of the artistic look, working in seminars, conferences and classrooms during the past seven years.

Keywords – art education research; visual arts based educational research; descriptive photo series

Problemas gerais e aproximações específicas nas pesquisas sobre Educação Artística

As pesquisas em Educação Artística conformam um espaço específico e muito heterogêneo. Os temas e os problemas de pesquisa em Educação Artística constituem uma área muito especializada dentro das pesquisas educativas, de um lado, e das pesquisas sobre a arte, do outro. Como poderemos provar nas epígrafes que compõem esse trabalho dispomos de uma quantidade suficiente de manuais de pesquisa, de revistas internacionais especializadas, congressos nacionais e internacionais e de grupos de pesquisa, como para poder afirmar que desde faz algumas décadas a Educação Artística configura-se como uma área de pesquisa com a sua própria identidade distintiva, situada justamente na interseção entre os problemas das artes visuais e os problemas educativos. No contexto das universidades espanholas a grande maioria das pesquisadoras e pesquisadores e dos grupos de pesquisa estão relacionados com a área de conhecimento de “Didática da Expressão Plástica” e, por conseguinte, com os departamentos universitários do mesmo nome presente nas Faculdades de Ciências da Educação e nas Faculdades de Belas Artes. No entanto, as pesquisas em Educação Artística constituem um espaço muito heterogêneo e de limites bastante difusos. Por exemplo, no âmbito de América Latina é muito comum que a pesquisa em Educação Artística compreenda o conjunto dos ensinamentos de todas as assinaturas artísticas: a música, a dança, o teatro, as artes visuais, etc.; enquanto que na Europa e nos EUA o mesmo termo só faz referência ao ensino das artes visuais. Além disso, muitas pesquisadoras e pesquisadores combinam a sua dedicação à Educação Artística com outras atividades, não só docentes, mas com a criação artística (exposições, curadorias, etc.) ou pesquisando em âmbitos contíguos, ora a educação, a estética, a psicologia, a sociologia ora a crítica de arte.

 

A particularidade do problema de pesquisar o aprendizado da arte

Na pesquisa em algumas das outras “didáticas específicas” (chamadas assim no contexto espanhol) existe uma certa proximidade ou simetria entre o caráter científico da disciplina ou curso que se ensina ou aprende, e a necessária cientificidade da pesquisa didática. A matemática, a biologia, a física ou a química são ciências e a pesquisa em didática da matemática, da física, etc., também constitui uma atividade científica. Mas quando se trata da arte, concretamente do ensino do desenho, da pintura, ou da fotografia, etc., parece surgir uma certa contradição entre o intenso caráter emocional, criativo e subjetivo dos processos artísticos e a necessária objetividade, contrastabilidade e demonstrabilidade de uma pesquisa educativa. Existem alguns temas que parecem refratários à atividade de pesquisa e científica, e dentre eles as artes e seu aprendizado é um dos mais evidentes. De fato, apesar da tendência marcada da cultura universitária contemporânea a inventar-se novos grupos de ciências (ou pelo menos a usar tais denominações), como “ciências da informação”, “ciências do mar”, “ciências da atividade física”, “ciências políticas”, etc., ainda nós somos relutantes a utilizar o de “ciências das artes”.

As pesquisas em Educação Artística usam todas as metodologias e técnicas de pesquisa frequentes em ciências humanas e sociais. Como é de se esperar toas as aproximações metodológicas e todas as técnicas de pesquisa frequentes nas ciências humanas e sociais, principalmente as mais utilizadas nas ciências da educação, têm a sua projeção nas pesquisas sobre Educação Artística; além disso, ao mesmo tempo que acontecem as modas de pesquisa em educação, psicologia ou antropologia, existe um reflexo nessa área específica do conhecimento. Assim, as primeiras pesquisas publicadas sobre Educação Artística continuavam muito diretamente os modelos imperantes nas primeiras décadas do século XX, recorrendo sistematicamente ao uso de “teste” e provas objetivas em estudos descritivos, longitudinais e correlacionais sobre capacidades artísticas (principalmente o talento para o desenho e a capacidade criativa), e sua relação com o rendimento escolar geral ((LOWENFELD, 1939; MANUEL, 1919).

 

Durante as principais décadas do século XX, a maior parte dos projetos mais importantes estiveram orientados ao desenvolvimento de modelos curriculares inovadores, que abordaram de um jeito sistemático a amplidão e complexidade do aprendizado artístico nos sucessivos cursos do sistema escolar, principalmente durante os anos de escolaridade obrigatória (BARKAN, 1965; BARKAN, CHAPMAN, KERN, 1970). Hoje a inovação e o desenvolvimento curricular continuam sendo um dos principais temas de pesquisa em Educação Artística. No fim das contas trata-se de um dos problemas que tanto intelectualmente quanto pelo seu grande interesse educativo e sua ampla repercussão social, são mais distintivos dos interesses da pesquisa das didáticas do currículo escolar (DOBBS, 1992; EFLAND, FREEDMAN, STUHR, 2003; FREEDMAN, HERNÁNDEZ, 1998).

O desenvolvimento mais importante das pesquisas em Educação Artística tem acontecido durante as duas últimas décadas do século XX e ainda hoje vem crescendo exponencialmente. Durante os últimos dez anos têm se consolidado os principais temas e metodologias de pesquisa. Um dos indícios que podemos utilizar para identificar esses temas é recorrer aos índices dos principais manuais de pesquisa que tem sido publicados durante os últimos anos.

 

Os manuais de pesquisa na Educação Artística

Não tem quantidade de manuais de metodologia de pesquisa em Educação Artística e em todos os casos são o resultado de iniciativas institucionais. O mais amplo, extenso e minuciosamente documentado é o que organizou a sociedade profissional americana de Educação Artística (National Art Education Association), cujos editores foram Elliot Eisner e Michael Day (EISNER; DAY, 2004). Nele tem dez temas em destaque: a) a Educação Estética, estreitamente relacionada com os desenvolvimentos em filosofia e em teoria da arte, que reuneas pesquisas de caráter mais teórico e especulativo em torno a qualquer das diferentes disciplinas artísticas: literatura, música, dança, artes visuais, etc., b) a história da Educação Artística, principalmente durante os séculos XIX e XX, quando o ensino do desenho foi imposto no plano curricular obrigatório no ensino fundamental, praticamente em todos os países do mundo; c) os estudos evolutivos sobre as condutas artísticas e estéticas tanto no que se refere às meninas e meninos como desenhadores, quanto em seu desenvolvimento como espectadores de pinturas e objetos artísticos; d) a organização e sistematização do plano curricular, principalmente durante os anos da educação obrigatória; e) as aproximações multiculturais dos ensinamentos artísticos; g) a formação inicial e a qualificação do professorado em artes visuais; h) a educação em museus; i) a cultura visual; j) as metodologias artísticas de pesquisa, sobre as quais insistiremos na última epígrafe.

Mais recentemente, em 2008, a sociedade profissional de educação em arte e desenho da Grande Bretanha (National Society for Education in Art and Design) teve a iniciativa de reunir alguns dos artigos de metodologia de pesquisa que tinham aparecido na revista que propicia a sociedade, o International Journal of Education in Art & Design- do qual falaremos mais adiante-, até completar um sumário adequado para um manual de pesquisa em Educação Artística, Richard Hickman foi o editor do volume que, organizado em quinze capítulos, aborda os temas seguintes: a afinidade da docência da arte com a indagação etnográfica, a historia da educação artística, a fotografia infantil, o desenvolvimento dos programas de doutorado em arte e desenho baseados na prática criativa [Practice-based Research]; os estudos interculturais, os estudos de caso, a historia oral e as historias de vida, a etnografia visual, as narrativas e as neo-narrativas (HICKMAN, 2008).

Em 2005 foi publicado na Espanha um manual de pesquisa que reunia a maioria do professorado que faz parte do programa interuniversitário de doutorado especializado em Educação Artística e que hoje corresponde à pós-graduação “Artes e Educação” www.artes-visuales.org/). Cada um dos capítulos do manual corresponde aos conteúdos que transmite a sua autora ou autor nos cursos de doutorado: a didática da suspeita, a teoria e pedagogia crítica em Educação Artística, a cultura visual, a pesquisa artístico-narrativa, os estudos de caso, a avaliação do aprendizado artístico, as metodologias artísticas de pesquisa educativa, o desenho infantil, as novas tecnologias e Internet, a educação em museus e na mídia, a interculturalidade, as teorias feministas, a educação em valores e para a paz, e a arte terapia (MARÍN VIADEL, 2005).

Como pode ser observado grande parte desses temas são comuns aos problemas de pesquisa de outras didáticas, mas pelo menos três deles são distintivos da pesquisa em Educação Artística. Um deles é a Cultura Visual, que no contexto da Educação Artística, envolve basicamente duas coisa, por um lado a ampliação do campo de fenômenos estudados que não ficam circunscritos às imagens visuais reconhecidas como artísticas mas ao conjunto dos acontecimentos visuais presentes no dia a dia dos alunos, tais como bonecos, cartazes, autocolantes e tatoos com os que os pré-adolescentes decoram seus quartos, os parques de atrações, as embalagens das balas e brinquedos; por outro lado, uma reconsideração das maneiras interpretativas dessas imagens todas centrando-se nos aspectos que são realmente significativos na configuração da identidade pessoal e grupal dos alunos (HERNÁNDEZ, 2000). O segundo tema que define as pesquisas em Educação Artística é o estudo profundo do desenho e a arte infantil espontânea (HERNÁNDEZ BELVER, 1995; MARTÍNEZ GARCÍA, 2004). E o terceiro são as metodologias artísticas de pesquisa que desenvolverei no penúltimo epígrafe.

 

O consenso dos organismos e associações internacionais: fortalecer as identidades e valores pessoais e sociais e a diversidade cultural através da Educação Artística

Nos últimos quatro anos a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) tem organizado duas conferências mundiais sobre Educação Artística, a primeira em Lisboa em 2006 e a segunda em Seul em maio de 2010. Os termos chave mais repetidos nos documentos de conclusões, na maioria dos casos, são os que vinham associando-se desde faz mais de meio século à Educação Artística, e dentre eles o clássico desenvolvimento da capacidade criativa (LOWENFELD, 1946), mas hoje impregnado de dois novos matizes: um, considerando criativas não só as pessoas mas também as instituições e industrias, e por outro lado a relacionando com os novos contextos sociais:

As sociedades do século XXI exigem cada vez mais trabalhadores criativos, flexíveis, adaptáveis e inovadores e os sistemas educativos devem se adaptar a essa nova situação.

A educação artística ainda constitui um meio para que os países possam desenvolver os recursos humanos necessários para explorar seu valioso capital cultural. A utilização desses recursos e esse capital é vital para os países se eles desejam desenvolver indústrias e iniciativas culturais fortes, criativas e sustentáveis, as quais podem desenvolver um rol chave quando potenciarem o desenvolvimento socioeconômico em países menos desenvolvidos (UNESCO< 2006, p. 4).

Na mais recente conferência mundial sobre Educação Artística que já teve em Seul no final do mês de maio de 2010, entre os cinquenta e cinco objetivos para o desenvolvimento da Educação Artística três estão dedicados especificamente à pesquisa, um deles é de caráter geral e os outros dois o desenvolvem com maior precisão:

2.c.1. Dar apoio global à pesquisa e à teoria em Educação Artística e à relação entre teoria, pesquisa e prática. 

2.c.2. Fomentar a cooperação para desenvolver a pesquisa em Educação Artística e repartir seus resultados assim como as práticas exemplares através de estruturas internacionais e observatórios (UNESCO, 2010, p. 6-7).

Como de praxe nesses documentos que finalmente devem ser aprovados pelos representantes ministeriais do quase cem países que participam do evento, as recomendações finais são tão abstratas e gerais que não deixam de ser uma expressão de bons desejos.

Talvez essa falta de concretização possa ser explicada parcialmente porque, na conferência mundial precedente, tinha sido estabelecido uma lista mais concreta de temas de pesquisa (UNESCO, 2006, p. 10-11): a) O que está acontecendo hoje em Educação Artística? Precisam serem descritas e comparadas as características dos programas e os currículos que estão se desenvolvendo agora. b) Que relação existe entre Educação Artística e criatividade? Precisamos conseguir evidências empíricas suficientes de que os alunos que têm seguido uma formação melhor em Educação Artística são mais criativos no conjunto das disciplinas curriculares, não só nos cursos artísticos, mas também na sua vida profissional adulta.

c) Qual é a relação entre Educação Artística e as competências sociais, a cidadania ativa e a participação social plena? Essa pergunta é perfeitamente complementária da anterior numa dimensão mais social do que pessoal. d) Qual é a eficácia formativa dos programas e métodos de Educação Artística, tanto desde um ponto de vista pessoal quanto social? e) Quais são os melhores métodos docentes para o ensino da Educação Artística? f) Qual é a eficácia e os resultados conseguidos pelas políticas de Educação Artística? g) Quais são os resultados obtidos graças à colaboração entre as instituições educativas e as instituições culturais como consequência de desenvolver a Educação Artística na parte curricular do sistema escolar? h) Quais deveriam ser as normas e os níveis de qualidade para a adequada formação de docentes em Educação Artística? i) Como deve ser feita a avaliação dos alunos em Educação Artística? j) Quais são as influências das indústrias culturais, e principalmente da televisão e o cinema, no aprendizado artístico dos alunos, e como conseguir que as indústrias culturais propiciem uma Educação Artística responsável para o conjunto da cidadania?

Junto desses dez temas que são apresentados de maneira explícita como aqueles nos que deveriam colocar-se as pesquisas em Educação Artística, ao longo do relatório são propostos mais cinco, que têm certo caráter meta-metodológico: k) Quais são os interesses da pesquisa do professorado e dos educadores em artes? l) Como desenvolve as aproximações interdisciplinares sobre metodologias de pesquisa em Educação Artística? m) Como organizar um corpus específico que difunda os conhecimentos e pesquisas atuais da Educação Artística, suficientemente completo e facilmente acessível? n) Quais são os supostos teóricos nos que são fundamentadas as melhores experiências e práticas atuais em Educação Artística e como documentar adequadamente os resultados que tem sido obtidos? o) Como conseguir um correto equilíbrio nas pesquisas sobre Educação Artística entre a perspectiva artística e a perspectiva pedagógica?

A UNESCO é uma organização governamental que para os temas relacionados com Educação Artística geralmente trabalha em parceria com outras organizações não governamentais internacionais que correspondem a diferentes especialidades artísticas: a Sociedade Internacional para a Educação através da Arte (InSEA), a Sociedade Internacional para a Educação Musical (ISME), o Conselho Internacional de Música (IMC), a Associação Internacional para a Educação e o Drama/Teatro (IDEA), a Aliança Mundial de Dança (WDA) e o Instituto Internacional do Teatro (ITI).

A InSEA é a organização internacional dos professionais do ensino das artes visuais, na sua grande maioria professoras e professores de todos os níveis de ensino. A cada três anos a InSEA convoca seu congresso mundial, o mais recente foi realizado do 27 ao 30 de junho de 2011 em Budapeste. Durante os dois dias anteriores ao congresso geral é organizado um pré-congresso dedicado especificamente à pesquisa, o tema proposto nessa ocasião é: “[avaliação autêntica em Educação Artística: novos meios, modelos e instrumentos” (http://insea.org/events/world-congress).

Além dos congressos mundiais a InSEA organiza congressos internacionais (Europa, América, Asia, etc.). No último feito na Europa, que foi realizado na cidade lapoa de Rovaniemi em junho de 2010, os temas abordados foram: a) os traços de crianças e jovens nos parques; b) a alfabetização visual e a multiculturalidade sustentável; c) a arte sustentável, uma unificante inter-relação de aprendizado; d) os artesanatos como um contexto particular em Educação Artística; e) a arte, a infância e a diversidade cultural; f) as histórias do pátio do recreio: problemas sobre pesquisa artística e pesquisa baseada nas artes; g) as artes como meios de transformação social; h) hétero-normatividade sustentável de gênero em Educação Artística contemporânea; i) a arte infantil; j) os roles e responsabilidades dos Museus e seus visitantes; k) sustentabilidade sociocultural (UNIVERSITY OF LAPLAND, 2010).

Na região do sudeste asiático e do Pacífico, o próximo congresso internacional de InSEA será realizado em Melbourne, em meados de outubro de 2011 e os temas propostos são: a) a educação em artes visuais na era digital; b) as práticas artísticas inovadoras no currículo escolar; c) as artes visuais e o currículo nacional oficial; d) as vozes de artistas, estudantes e professorado; e) as qualidades e capacidades dos graduandos do ensino superior;  f) as novas mídias e tecnologias digitais; g) a diversidade e as identidades culturais; h) o desenvolvimento de compreensões interculturais; i) a Cultura Visual, o conhecimento e a comunicação; e j) a criatividade, as teorias de aprendizado e a prática profissional (http://www.insea.org/events/regional-congress).

A Associação Nacional de Educação Artística (NAEA) dos EUA, embora em sentido estrito seja uma associação nacional, é junto com a da Grande Bretanha (The National Society for Education in Art and Design), uma associação profissional de referência internacional. É a americana a que criou o maior esforço para os temas de pesquisa. O último documento que ela tem publicado, numa grande série que vem publicando há duas décadas, chama-se Criar uma agenda de pesquisa na educação das artes visuais para o século XXI: promover a pesquisa individual e colaborativa (NAEA, 2008).

O documento observa quatro setores de interesse de pesquisa: o aprendizado artístico, a comunidade profissional de professores de artes visuais, os interesses artísticos do conjunto da sociedade, e a própria pesquisa sobre Educação Artística. Sobre cada uma delas ele propõe algumas perguntas chave.

a) Perguntas sobre o aprendizado e o ensino das artes visuais: Como poderiam chegar a ser mais eficazes o professorado e os profissionais da Educação Artística? Como é desenhado e organizado o aprendizado dos alunos de artes visuais, como é executado, e como é avaliado segundo os diferentes modelos educativos atuais? O documento observa claramente seis modelos de ensino artístico: experiências de oficina, cultura visual, cultura material, baseado nas disciplinas (criação, história da arte, crítica da arte e estética), baseado em problemas, e por último, quando a educação artística é ensinada integrada com outras disciplinas. De que maneira os elementos do plano curricular e os critérios de avaliação refletem a necessidade de preparar a um professorado e a uns alunos plurais, para uma sociedade justa e global? Que centros de ensino e que experiências de aprendizado são os melhores exemplos de excelência em educação artística? Quais são as diferenças entre o aprendizado artístico das pessoas em diferentes grupos de população: crianças pequenas, alunos do ensino fundamental, alunos do ensino médio, pessoas adultas, estudantes de professorado, visitantes de museus, pessoas idosas? Qual é o impacto em Educação Artística dos novos contextos de aprendizado propiciados pelas tecnologias da informação e a comunicação?

b) Perguntas sobre o próprio grupo profissional do professorado e educadores de artes visuais: em que medida são diferentes os interesses e os objetivos dos diferentes grupos que integram a comunidade de profissionais da Educação Artística, trate-se do professorado dos diferentes níveis de ensino, de educadores de museus, formadores comunitários, etc.?

Como poderia conseguir-se uma melhor intercomunicação entre todos eles e elas?

c) Perguntas sobre os interesses artísticos do conjunto da sociedade: Como comunicar eficazmente a importância do aprendizado artístico permanente aos alunos, ao professorado, aos responsáveis políticos, aos pais e ao conjunto da comunidade? Que relação existe hoje entre as teorias e as políticas educativas e a realidade da Educação Artística? Quais são os fatores que mais influenciam em formar as atitudes dos pais e a opinião pública sobre o valor da Educação Artística? De que maneiras poderiam chegar a ser mais acessíveis e confortáveis para todo mundo a fim de que seja desenvolvido um interesse permanente por esses centros?

d) Perguntas sobre a pesquisa: Como poderiam os profissionais do ensino das artes visuais chegar a estar mais diretamente envolvidos nos processos de pesquisa e chegar a ser mais valorados pelas suas experiências e conhecimentos? Que aspectos das pesquisas em Educação Artística são os mais benéficos para os profissionais do ensino? Como poderiam as professoras e os professores, estudantes, administradores, responsáveis políticos, e outros educadores que trabalham em diversos programas de educação em artes visuais, organizar e desenvolver pesquisas de estudos de caso sobre sua própria prática profissional? Como contribuem as diferentes metodologias de pesquisa (por exemplo, a experimental, a qualitativa, a baseada nas artes, a etnográfica, a histórica, a filosófica, a pesquisa-ação) para uma melhor compreensão do aprendizado das artes visuais?

Dentro dessa epígrafe dedicada às propostas de pesquisa dos organismos e associações internacionais, iremos ver em último lugar a posição da Associação Americana de Pesquisa Educativa (AERA - American Educational Research Associaciation) que provavelmente seja hoje a associação de pesquisa educativa mais prestigiosa. Na AERA tem “Grupos de Interesse Especial” em torno a temas muito específicos. Seis desses grupos estão dedicados a temas de Educação Artística: dois deles tratam o conjunto dos problemas de pesquisa das artes e da educação, tanto desde um ponto temático quanto metodológico; e cada um dos outros quatro grupos está dedicado a uma especialidade artística.

a) O grupo chamado “Artes e aprendizado” propõe entre seus temas de interesse: o plano curricular, a avaliação, a semiótica do processo criativo, a integração, e a educação estética. O grupo está diretamente relacionado com a revista “Journal for Learning through the Arts: A Research Journal on Arts Integration in Schools and Communities” [Revista para o Aprendizado através das Artes: Uma revista de pesquisa sobre a Integração das artes nas Escolas e as Comunidades] (http://www.uacoe.arizona.edu/ALSIG/).

b) O grupo chamado “Pesquisa Educativa baseada nas Artes” [Arts-Based Educational Research] trabalha sobre o desenvolvimento dessa nova metodologia que observa a educação através de um ponto de vista artístico (http://aber-sig.org/Home.html). Em uma de suas últimas reuniões que foi realizada em 30 de abril de 2010 em Denver, encontraram-se os pesquisadores e pesquisadoras mais reconhecidos nessa área: Elliot Eisner, Graeme Sullivan, Rita Irwin, Carl Leggo, Barbara Bickel (http://vimeo.com/12336415).

 c) Os grupos centrados na pesquisa educativa das artes visuais são: o grupo “Artes e indagação nas Artes Visuais e da Representação Em Educação [Arts and Inquiry in the Visual and Performing Arts in Education] e o grupo chamado “Desenho e Tecnologia” [Design and Technology] cujo propósito é desenvolver a inovação e a pesquisa no ensino do desenho e da tecnologia tanto no sistema educativo formal quanto em outros ambientes de aprendizado (http://www.aera.net/Default.aspx?menu_ id=414&id=5688).

 

As revistas de pesquisa em Educação Artística: novos métodos, novos formatos

Hoje a pesquisa que é realizada em uma área de conhecimento corresponde com bastante exatidão à quantidade, qualidade e pluralidade das revistas de pesquisa especializadas nesse território. O doce momento que está vivendo a pesquisa em Educação Artística é manifestada em uma verdadeira eclosão de revistas de pesquisa de grande qualidade. Vamos destacar apenas dez delas, vamos nos concentrar em quais são os temas e as aproximações mais recorrentes nesses momentos.

As duas revistas que poderíamos qualificar como “clássicas” de pesquisa em Educação Artística são americanas e as duas vêm sendo publicadas regularmente todo quadrimestre, há mais de quarenta anos.

Studies in Art Education [Estudos em Educação Artística] está sustentada pela associação de profissionais da Educação Artística com maior peso específico internacionalmente, a “National Art Education Association” (www.naea-reston.org/). Nela são publicados os debates mais importantesnos EUA, que são os que acabam configurando o panorama internacional. Nos últimos anosa revista tem estado muito comprometida com o desenvolvimento da Cultura Visual em Educação Artística (FREEDMAN, WOOD, 1999), e hoje o está com problemas metodológicos da pesquisa baseada nas Artes [Arts-based Research] (CARPENTER, TAVIN, 2010). Junto deles alguns dos temas recorrentes nas últimas edições tem sido os videojogos, a cultura popular, e a revisão do conceito clássico de criatividade em Educação Artística.

Journal of Aesthetic Education [Revista de Educação Estética] enfrenta, desde uma perspectiva teórica e filosófica, os problemas do conjunto das disciplinas artísticas, mas principalmente os da poesia, a literatura, o teatro, as artes visuais e a música. Alguns das suas principais áreas de elucidação são as consequências educativas das inovações conceituais sobre as ideias centrais da experiência estética (beleza, representação, ritmo, mimeses, etc.), a interpretação de obras e autores clássicos da teoria da arte e da educação (Platón, Dewey, M. Beardskley, Simone Weil, etc.), assim como uma ampla gama de temas como a caligrafia chinesa, a realidade virtual, a ópera, o confucionismo, a ética e os valores democráticos, ou a estética feminista (http://www.press.uillinois.edu/journals/jae.html).

Visual Arts Research [Pesquisa em Artes Visuais] é publicada duas vezes ao ano desde 1975. Com relação às duas anteriores ela está mais focada para as pesquisas empíricas. Nos últimos aos ela tem o hábito de dedicar cada edição a um tema monográfico, embora em todas elas sempre aparece publicado pelo menos uma pesquisa sobre o desenho e a arte infantil. Os problemas mais destacados tem sido: a tutoria, a cultura visual e a educação artística nos museus. Uma das próximas monografias estará dedicada a um tema emergente que provavelmente monopolizará a atenção da pesquisa em Educação Artística nos próximos anos: o romance gráfico [Graphic novel] (http://www.press.uillinois.edu/journals/var.html).

International Journal of Art and Design Education [Revista Internacional de Educação em Arte e Design] publicada pela ““Sociedade nacional para a educação em arte e design” [National Society for Education in Art & Design] da Inglaterra, suas diferenças em relação às anteriores residem não somente em seu caráter mais europeu, mas na facilidade com que reúne em uma mesma edição pesquisas sobre a educação artística em todos os níveis do sistema educativo, incluindo a formação de profissionais do mais alto nível em politécnicos e universidades; assim como também sua atenção para temas de arquitetura, design industrial e design de moda.

International Journal of Education Trough Art [Revista Internacional de Educação através da Arte] é a revista de pesquisa que publica InSEA e por isso as matérias e contribuições vêm de países muito diferentes e contextos educativos de todas as regiões do mundo (http://www.insea.org/publications/journal/index.html).

International Journal of Education & the Arts [Revista Internacional de Educação e as Artes] começou a ser publicada em 2000 em formato exclusivamente eletrônico. Isso tem dado duas vantagens muito importantes em relação às outras revistas: por um lado, admite uma muito ampla pluralidade de formatos para qualquer contribuição, sejam arquivos sonoros, de vídeo, hipertextos, junto dos formatos mais tradicionais de texto e gráficos; por outro lado, toas as pesquisas publicadas desde o começo da revista estão disponíveis de graça na Internet. Sempre dentro de uma perspectiva educativa, a revista está aberta a qualquer tipo de manifestação artística: música, dança, teatro, poesia, desenho, pintura, etc. e muito especialmente às novas mídias (http://www.ijea.org/).

No âmbito das universidades espanholas é preciso faar de duas revistas, ambas publicadas pela universidade Complutense de Madrid, uma delas chamada Arte, Individuo y Sociedad [ Arte, Individuo e Sociedade], que cobre o amplo panorama das pesquisas em Educação Artística (http://www.arteindividuoysociedad.es/); e a segunda, muito mais especializada tematicamente, com o descritivo título Arteterapia: Papeles de Arteterapia y Educación Artística para la inclusión social [Arte-terapia: papeis de Arte-terapia e Educação Artística para a inclusão social].

As Metodologias Artísticas de Pesquisa em Educação (MAIE)

São uma nova e muito inovadora forma de desenhar, fazer e publicar pesquisas em educação. A ideia básica de todo esse movimento metodológico é aproximar os usos e tradições profissionais da criação artística às normas e critérios da pesquisa em ciências humanas e sociais, do jeito que em lugar de considerar a atividade científica como contraditória e oposta à atividade artística, cheguem a considerar-se complementárias (já que cada uma oferece aproximações e resultados diferentes sobre os problemas humanos) equivalentes (aproveitando suas peculiares técnicas e procedimentos de indagação assim como suas conquistas cognoscitivas de um reconhecimento acadêmico semelhante).

Por quê um filme ou um romance, ou uma peça de teatro, ou uma exposição de fotografias, que abordarem problemas educativos tais como a violência escolar, a interculturalidade, ou os mecanismos de exclusão social tolerados pelo sistema educativo, não podem ser considerados como pesquisas educativas propriamente ditas? Por acaso as obras de arte são única e exclusivamente uma manifestação de emoções ou expressão de sentimentos? Não são também uma forma de conhecimento?

As Metodologias Artísticas de Pesquisa são desenvolvidas em todas as especialidades artísticas: poesia, romance, drama, dança, música, pintura, fotografia, instalações, vídeo, performances, etc. Em todos os casos trata-se de usar uma grande bagagem de conhecimentos e estratégias profissionais de análise, representação e persuasão, que são caraterísticas das criações artísticas, para abordar os problemas educativos.

As Metodologias Artísticas de Pesquisas colocam muitos problemas epistemológicos e metodológicos, dentre eles destacam-se três: a) a pluralidade de linguagens e (re)presentação; b) a complexidade semântica e a amplidão conotativa dos resultados e c) a flexibilidade com os dados empíricos. Primeiro, o uso de linguagens e formas de apresentação e de representação dos dados, processos e resultados, que vão além da linguagem verbal escrita e das análises estadísticas de dados quantitativos. Até agora as linguagens alfanuméricas têm sido as únicas reconhecidas na pesquisa educativa; tratar-se-ia de admitir que as formas ou gêneros próprios das manifestações artísticas podem abrir novas possibilidades para essa área de conhecimento. Por exemplo, se nos perguntarmos qual é a paisagem sonora da um centro educativo durante o recreio, provavelmente o resultado dessa indagação poderia ser uma música.

Essa não teria porquê ser a pura e direta transcrição dos sons, conversas e gritos que tenham acontecido ali; do mesmo jeito que uma pesquisa qualitativa baseada em entrevistas profundas não é a transcrição direta dessas conversas. O segundo problema, diretamente relacionado com o anterior, tem a ver com a profunda amplidão dessas dimensões conotativas dos campos semânticos que são próprias das linguagens artísticas. Essa abertura de significados das obras artísticas é interpretada em ocasiões como ambiguidade o ausência de significados e portanto imprópria para a pesquisa. Mas as Metodologias Artísticas de Pesquisa sugerem que sejam recuperadas formas de indagação tão admiradas pelas suas qualidades artísticas como intelectuais, como por exemplo, os diálogos de Platão ou os romances e peças teatrais de Jean-Paul Sartre, se nós decidirmos trabalhar com a linguagem literária.

Os usos poéticos da linguagem verbal surgem para poder dizer aquilo que as palavras por si mesmas não conseguem dizer. Os problemas educativos são tão amplos e complexos como para que não nos possamos dar o luxo de descarta qualquer meio que possa representar um avanço em profundidade. O terceiro problema tem a ver com a grande flexibilidade com a que as Metodologias Artísticas de Pesquisa podem chegar a controlar os dados empíricos. A grande maioria das metodologias quantitativas dependem diretamente da exatidão dos dados obtidos nas provas e controles tipo “teste” ou questionários. A observação participante ou as entrevistas em profundidade proporcionam dados mais dúcteis e manuseáveis porque eles dependem tanto dos acontecimentos e da idiossincrasia das pessoas entrevistadas quanto das capacidades de empatia e diálogo da pessoa que faz a entrevista. As Metodologias Artísticas podem abordar aproximações à realidade educativa como as que sugere a arte moderna e contemporânea: a fugacidade cromática impressionista, a reestruturação espacial cubista, a síntese da abstração, etc. O pintor Paul Klee explicou que sua maneira de aproximação à realidade não era muito diferente da das árvores e plantas: com suas raízes afundadas na terra proporcionavam frutos e flores que não eram muito parecidos com as argilas e nitratos do solo do que eram alimentados (KLEE, 1976).

No âmbito das artes visuais o grupo mais consolidado de pesquisa que usa metodologias está localizado na universidade da Columbia Britânica na cidade canadense de Vancouver. O grupo tem desenvolvido toda uma tendência metodológica chamada “A/R/T/ography” cujas três primeiras letras correspondem em inglês às inicias de artista [artist], pesquisador [researcher] e professor [teacher], ao mesmo tempo que a palavra “arte”. As metodologias A/R/Tográficas propugnam combinar em um mesmo processo metodológico as experiências pessoais e profissionais daquelas pessoas que são artistas, professoras e pesquisadoras. Em vez de deslocar cada uma dessas três perspectivas em suas respectivas atividades profissionais, por que não as reunir sob uma mesma unidade conceitual e vital? (http://m1.cust.educ.ubc.ca/Artography/).

 

Descrição fotográfica do olhar das pesquisadoras e pesquisadores do olhar em contextos de pesquisa

As metodologias visuais de pesquisa, dentre elas o uso da fotografia, conta com uma ampla tradição nas pesquisas antropológicas e sociológicas. As séries fotográficas são utilizadas fundamentalmente para documentar, descrever e para comparar. Na série de retratos que apresento nesse trabalho o argumento é descrever interpretativamente o olhar das pessoas que trabalham profissionalmente na área da Educação Artística em diversos contextos: a pesquisa universitária, a administração educativa, a gestão cultural e do patrimônio, os museus de arte, etc. Todas as fotografias tem sido tiradas enquanto essas pessoas estavam trabalhando em congressos e seminários profissionais, em atos institucionais ou dando aula em sua sala. Não se trata portanto de retratos de pose, mas de situações nas quais nem elas nem eles eram conscientes de que estavam sendo fotografados. Esse tipo de estudos fotográficos se campo está diretamente aparentado, desde o ponto de vista da pesquisa com a observação participante e desde um ponto de vista artístico com a foto-reportagem (MARÌN, ROLDÀN,2010).

Como olham as pessoas que pesquisam o olhar artístico? É esta uma pergunta pertinente de pesquisa? A resposta fotográfica a esta pergunta é um resultado pertinente de pesquisa?

 

Conclusões

Estamos assistindo a um momento realmente brilhante e decisivo na pesquisa em Educação Artística caracterizado, segundo eu, por três rasgos complementários.

Em primeiro lugar, pode-se constatar uma suave transformação em direção à própria intra-especialização e aumento da complexidade dentro da própria área, já especializada per se, como o é a Educação Artística. Por enquanto o mais frequente tem sido que uma mesma pessoa fizera contribuições importantes praticamente em todos os cenários de interesse para a pesquisa, ou pelo menos em vários deles simultânea e sucessivamente: o desenho infantil, o plano curricular escolar, os materiais didáticos, a história da educação artística, as metodologias de pesquisa, etc. É o caso de Elliot Eisner, Mary Stokrocki, Arthur Efland, Ana Mae Barbosa, entre outros e outras. Mas o progressivo desenvolvimento das pesquisas leva infelizmente a que comece a ser muito difícil que uma pessoa só atinja o conjunto do território, e portanto a necessária especialização ao longo de toda uma vida profissional a um setor específico de pesquisas, seja a cultura visual, o plano curricular e a avaliação, a educação em museus ou a arte-terapia.

Em segundo lugar, como era de se esperar devido às muito enraizadas afinidades e devoções pessoais e profissionais das pessoas que fazemos pesquisa em Educação Artística, - seja pela nossa formação inicial, seja pela duplicidade de ambientes (os artísticos e os educativos) entre os quais geralmente estamos ativos-, acontece que essa área é uma das que com maior rapidez e arraigo estão provocando furor as novas maneiras e modas de fazer pesquisa: as metodologias artísticas de pesquisa. Isso tem tanto as suas vantagens como seus riscos. A vantagem principal é que desde as pesquisas em Educação Artística podem-se iluminar outros temas e problemas educativos que até então apenas tinham sido abordados com estratégias fotográficas ou videográficas, só por mencionar duas novas possibilidades. O principal inconveniente é que o precário desenvolvimento metodológico dessas novas aproximações nos leve a um certo retrocesso e recessão na obtenção de resultados satisfatórios, como os que estão atingindo hoje quando usamos metodologias de pesquisa mais tradicionais e melhor aceitas.

Em terceiro lugar, assistimos a um intenso reforço dos setores de fusão e mistura entre as atividades profissionais das pessoas profissionalizadas em criação na Educação Artística. Logicamente que sempre existiu relação entre a arte e a escola, entre artistas e professorado, mas o esquema clássico (o artista pintava seus quadros e o professorado explicava esses quadros em aula para os alunos aprenderem quais eram suas características e seu mérito) tem mudado completamente. Nas novas situações, de maneira bastante natural, artistas, educadoras artísticas, trabalhadores sócias e outros coletivos coincidem nos mesmos espaços e projetos. Para o mundo artístico, a obra não é algo diferenciado das aspirações e desejos das pessoas e comunidades, para os educadores artísticos as ocasiões de aprendizado artístico não aparecem só nas salas de aula e museus mas em qualquer situação social (ABAD MOLINA; PALACIO GARRIDO, 2008).

 

 

Referências*

ABAD MOLINA, Javier; PALACIOS GARRIDO, Alfredo. Escribir el lugar: collaborative projects in public spaces. International Journal od Education through art, v. 4, n. 2, p. 195-206, 2008.

ACASO, María. La educación artística no son manualidades: nuevas prácticas en la enseñanza de las artes y la cultura visual. Madrid: Catarata, 2009.

* As referências dos artigos estrangeiros foram mantidas de acordo com o texto original, que, em alguns aspectos, se diferenciam das normas adotadas pela ABNT, mas que indicam todos os elementos necessários ao leitor. (Nota da Editora)284 Ricardo Marín Viadel Educação, Porto Alegre, v. 34, n. 3, p. 271-285, set./dez. 2011

AGIRRE ARRIAGA, Imanol. Teorías y prácticas en educación artística. Ideas para una revisión pragmatista de la experiencia estética. Barcelona: Octaedro, 2005.

AGUILAR MENDOZA, Nora et al. Libro para el maestro. Educación artística. Primaria. México: Secretaría de Educación Pública, 2002.

ARAÑÓ GISBERT, Juan Carlos. La enseñanza de las Bellas Artes en España. Madrid: Universidad Complutense, 1986.

BARBOSA, Ana Mae. Tópicos utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.

BARKAN, Manuel. Currículum Problems in Art Education. Pennsylvania: Penn State University, 1965.

BARKAN, M.; CHAPMAN, L.; KERN, Evan. Guidelines: Curriculum Development for Aesthetic Education. Saint Louis: CEMREL, 1970.

BARONE, Thomas E.; EISNER, Elliot W. Arts based Research. London: SAGE, 2011.

DOBBS, S. M. The DBAEHandbook: an overview of Discipline-Based Art Education. Santa Monica, CA: The Getty Center for Education in the Arts, 1992.

DUNCUM, Paul. Visual Culture: Developments, Definitions and Directions for Art Education. Studies in Art Education, v. 42, n. 2, p. 101-12, 2001.

CAO, Marián. Memoria, ausencia e identidad: el arte como terapia. Madrid: Eneida, 2011.

CARPENTER, B. S.; TAVIN, K. M. Drawing (past, present and future) together: a (graphic) look at the reconceptualization of art education. Studies in Art Education, v. 51, n. 4, p. 327-52, 2010.

EFLAND, Arthur D. Una historia de la educación del arte. Tendencias intelectuales y sociales en la enseñanza de las artes visuales. Barcelona: Paidós, 2002.

EFLAND, A. D.; FREEDMAN, K.; STHUR, P. La educación en el arte posmoderno. Barcelona: Paidós, 2003.

EISNER, Elliot W. Educar la visión artística. Barcelona: Paidós, 1995.

______. El ojo ilustrado. Indagación cualitativa y mejora de la práctica educativa. Barcelona: Paidós, 1998.

EISNER, Elliot W.; DAY, M. D. Handbook of research and policy in art education. Mahwah: National Art Education Association y Lawrence Erlbaun, 2004.

FREEDMAN, Kerry; HERNÁNDEZ, Fernando (Eds.). Curriculum, culture and art education. Comparative perspectives. New York: SUNY, 1998.

FREEDMAN, Kerry; WOOD, John. Reconsidering Critical Response: Student Judgments of Purpose, Interpretation, and Relationships in Visual Culture. Studies in Art Education, v. 40, n. 2, p. 128-42, 1999.

GUTIÉRREZ PÉREZ, Rosario. La estética del espacio escolar. Estudio de un caso. Barcelona: Oikos-Tau, 1998.

HERNÁNDEZ BELVER, Manuel (Coord.). El arte de los niños. Investigación didáctica del MUPAI. Madrid: Fundamentos, 1995.

HERNÁNDEZ, Fernando. Educación y cultura visual. Barcelona: Octaedro, 2000.

HICKMAN, Richard (Ed.). Research in art & design education. Issues and exemplars. Bristol, UK: Intellect, 2008.

HUERTA, Ricard; CALLE, Romà de la (Eds.). Mentes sensibles: investigar en educación y museos. Valencia: Universitat de Valencia, 2008.

KARP, Ivan; KREAMER, Christine Mullen; LAVINE, Steven (Eds.) Museums and communities: the politics of public culture. Washington: Smithsonian Institution Press, 1992.

KLEE, Paul. Teoría del arte moderno. Buenos Aires: Calden, 1976.

LOWENFELD, Viktor. The nature of creative activity. Experimental and comparative Studies of Visual and Non-Visual Sources. London: Kegan Paul, Trench and Trubner, 1939.

MANUEL, Herschel T. Talent in drawing. An experimental study of the use of test to discover special ability. Bloomington: Public School, 1919.

MARIN VIADEL, Ricardo (Coord.). Investigación en educación artística. Granada: Universidad de Granada, 2005.

MARÍN VIADEL, Ricardo; ROLDÁN RAMÍREZ, Joaquín. Photo essays and photographs in visual arts based educational research. International Journal of Education through Art, v. 6, n. 1, p 7-23, 2010.

MARTÍNEZ GARCÍA, Luisa María. Arte y símbolo en la infancia. Barcelona: Octaedro, 2004.

MASON, Rachel; O FARRELL, L. Issues in arts education in Latin America. Kingston, Ontario: Queens University, 2003.

NAEA. National Art Education Association. Creating a Visual Arts Education Research Agenda for the 21st Century: Encouraging Individual and Collaborative Research. 2008. Disponíble en: . Acesso en: 1º sept. 2010.

NAEA. Research Commission. Art education: Creating a visual arts education research agenda toward the 21st Century. Final Report. Reston, Virginia: NAEA, 1994.

PARSONS, M. J. Cómo entendemos arte: una perspectiva cognitivo evolutiva de la experiencia estética. Barcelona: Paidós, 2002.

ROLDÁN RAMÍREZ, Joaquín; HERNÁMDEZ GONZÁLES, Mario. El otro lado. Fotografía y pensamiento visual en las culturas universitarias. Aguascalientes: Universidad Autónoma de Aguascalientes, 2010.

ROLDÁN RAMÍREZ, Joaquín; MARÍN VIADEL, Ricardo. Proyecciones, tatuajes y otras intervenciones en las obras del museo (Un fotoensayo a partir de T. Struth). Arte, Individuo y Sociedad, Madrid, Universidad Complutense, n. 21, 2009. Disponíble en: <http://www.arteindividuoysociedad.es/articles/N21/ ROLDAN_MARIN.pdf>.

ROSE, Gillian. Visual methodologies. An introduction to the interpretation of visual materials. London: Sage, 2007.

STOKROCKI, M. Qualitative forms of Research Methods. En: LAPIERRE, S. D.; ZIMMERMAN, E. (Eds.). Research methods and methodology for art education. Reston, VA: National Art Education Association, 1997. p. 33-55.

SULLIVAN, Graeme. Art practice as research: inquiry in the visual arts. Thousand Oaks, California: Sage, 2005.

UNESCO. Hoja de ruta para la educación artística. Conferencia Mundial sobre la Educación Artística: construir capacidades creativas para el siglo XXI. 2006. Disponíble en: <http://portal.unesco.org/culture/es/files/40000/12581058825Hoja_de_Ruta_para_la_Educaci%F3n_Art%EDsticpdf/Hoja%2Bde%2BRuta%2Bpara%2Bla%2BEducaci%F3n%2BArt%EDstica.pdf>. Acesso em: 10 sept. 2010.

______. Final report by professor Larry O’Farrell general rapporteur of the conference. Closing Session of the Second World Conference on Arts Education. 2010. Disponível em: <http://portal.unesco.org/ culture/es/files/41117/12798106085Seoul_Agenda_Goals_for_the_Development_of_Arts_Education.pdf/Seoul%2BAgenda_Goals%2Bfor%2Bthe%2BDevelopment%2Bof%2BArts%2BEducation.pdf>. Acesso em: 10 sept. 2010.

______. Disponível em: <www.unesco.org/culture/en/artseducation>.

UNIVERSITY OF LAPLAND. The InSEA European Congress 2010. Traces: sustainable art education. 2010. Disponível em: <http://www.ulapland.fi/InEnglish/Units/Faculty_of_Art_and_Design/About_the_Faculty/ Events/InSEA/Programme.iw3>. Acesso em: 10 sept. 2010.

VALLE, Marta Eugenia. La educación artística en la enseñanza básica en El Salvador. San Salvador: Universidad Dr. José Matís Delgado, 2011.

VARTO, Juha. Basics of artistic research. ontological, epistemological and historical justifications. Helsinki: Aalto University, School of Art and Design, 2009.

WILSON, Brent; HURWITZ, Al; WILSON, Marjorie. La enseñanza del dibujo a partir del arte. Barcelona: Paidós, 2004.

ZAMORA ÁGUILA, Fernando. Filosofía de la imagen. Lenguaje, imagen y representación. México, Universidad Nacional Autónoma de México. 2007.

n. 27 Dr. Steven Lavine, California Institute of the Arts. Foto digital. 2011.

n. 28 Benjamín Juárez Echenique, Boston Univeristy. Foto digital. 2009.

 

Sobre o autor:

*Ricardo Marín Viadel é doutor em Filosofia e Ciências da Educação (Estética) pela Universidade de Valencia (Espanha) e Professor de Artes Visuais da Educação da Universidad de Granada (Espanha). E-mail: .

Este artigo é uma reformulação do estudo publicado na revista em Educatio Siglo XXI em 2011. http://revistas.um.es/educatio/article/view/119951.

Comentários Deixe o seu comentário

  • Nenhum comentário foi encontrado para o conteúdo acima.

Deixe o seu comentário

Os campos assinalados com (*) são de preenchimento obrigatório.




Envie seu artigo

Compartilhe o seu conhecimento adquirido durante sua pesquisa.

Faça o login para enviar seu artigo

Filtrar artigos

Ver todos os artigos