Relatos de Experiência

Os Relatos de Experiência são de responsabilidade de seus respectivos autores. O Instituto Arte na Escola propõe sua leitura como fonte de pesquisa para o professor.

Favela

Em fevereiro de 2009 participei de uma reunião pedagógica na Emef Dom Veremundo Toth situada dentro da favela de Paraisopolis e, durante a mesma, ocorreu um manifesto dentro da favela da comunidade que foi notícia em toda São Paulo,obrigando a intervenção da polícia por muito tempo nas entradas da favela.

Ao ver as reportagens e conversar com os alunos, senti a necessidade de desenvolver esse tema tão polêmico, principalmente o termo favela (palavra que não era bem aceita pelos alunos, que só usavam o termo comunidade e não aceitavam a sua realidade e vivência histórica).

Resolvi desenvolver a ação pedagógica com meus alunos da manhã de Fundamental II, principalmente com a 8ªsérie devido a grande mudança social e psicológica nessa fase.
Assistimos a uma apresentação no CEU Paraisópolis com o maestro José Carlos Martins, o que nos emocionou muito devido ao seu grande esforço (mesmo com a doença que atrofia suas mãos) em apresentar várias músicas, inclusive tocando e chorando, pela dor do movimento excessivo. Provou que somos capazes de mudar nossa vida e não ficar apenas lamentando nossa realidade difícil e triste.

Isso tudo provocou em mim reflexões pedagógicas a partir de observações de que atualmente no Ensino Fundamental II, não conseguimos provocar uma reflexão realmente significativa, sobre as relações entre o homem e sua a realidade e que o aluno consiga realmente entender uma idéia e saber se expressar em artes, buscando uma maior realização pessoal.

A experiência durou o ano de 2009. Envolvi a escola toda, principalmente a 8ªE.

Registros da minha vivência

  • Favela Surreal
  • Desenho Sobre Favela
  • Historia Em Quadrinhos Do Poema Favela
  • Maquete Da Favela
  • Colagem Em Desenho De Favela

A proposta visou ajudar o educando a perceber melhor o que está ao seu redor utilizando-se da linguagem visual como meio de comunicação e expressão, valorizando o meio que vive, observando melhor o seu cotidiano e sensibilizando esse entendimento através de novas experiências e vivências.

Creio que atingi meu objetivo pois, levei o educando a criar novas possibilidades, transformar o seu conhecimento em um objeto artístico vivenciando novas emoções e reflexões relacionando três áreas distintas (artes, história e português), mas que foram trabalhadas de forma muito proveitosa através da interdisciplinaridade.

O meu trabalho pedagógico foi intenso e estimulante, busquei trazer aos educandos atividades diversificadas e estimulantes o ano todo.

Cresci muito profissionalmente e finalmente terminei um ano escolar com o sentimento de ter realmente colaborado com a formação pessoal e social desses jovens maravilhosos que passaram na minha vida.

O primeiro passo foi apresentar o projeto suas intenções e o plano de ação para cumpri-las. Trabalhei o termo favela (sua definição) e influência na vida interpessoal dos educandos.

Os alunos passaram por dinâmicas inovadoras e estimulantes que visassem a reflexão de assuntos significativos na vida deles: relaxamento com música, onde, de olhos fechados deveriam percorrer caminhos na natureza, tentando sentir estímulos sonoros, gustativos, olfativos, táteis, terminando com uma sensibilização utilizando-se da cromoterapia,onde visualizaram a cor amarela e o efeito dela dentro do próprio corpo.

Após essa dinâmica desenharam o que mais sensibilizou durante este relaxamento. Mostrei uma apresentação na sala de vídeo com desenhos (cartuns) sobre favela.

Em grupo fizeram um desenho ocupando a cartolina toda que represente visualmente uma favela. Criaram imagens de reflexão de como se vêem e os outros os vêem e como gostariam de se ver no futuro. Apliquei em sala de aula um molde de uma favela geométrica,colocaram ele por baixo da folha,copiaram e continuaram a imagem colocando detalhes transformando formas quadradas ou retangulares em casas ou comércio da favela.

Recortei uma imagem da obra: Favela, de Tarsila do Amaral e eles colaram no centro da folha e usando a técnica do sombreamento continuaram a imagem para todos os lados, criando um novo desenho.

Mostrei uma apresentação com fotos sobre favela, principalmente de Paraisópolis e debatemos como o adolescente participa dessa comunidade.

Os alunos fizeram cartazes em grupo sobre a sua turma e também mosaico de como veêm a frente da sua escola.
Trabalhei a partir de diferentes artistas que retrataram o tema favela através de re leituras.

Fizemos maquetes de uma favela para a Mostra Cultural de Paraisópolis e um jornal virtual na sala de informática, que retratasse bem suas vivências (ele continha notícias de Paraisópolis, fofocas, receitas, esportes da região, moda, piadas, eventos culturais, etc) e foi apresentado no cinema do CEU para apreciação dos melhores trabalhos, além de ser impresso e colocado em pastas para visualização dos participantes da mostra. Assistimos a uma apresentação no Data Show sobre o Surrealismo ,principalmente sobre Salvador Dali. A atividade visual para o aluno foi criar uma favela surreal.

Foi montado um portfólio com as imagens, fotografias, das produções dos alunos, apresentações e montamos uma exposição com os melhores trabalhos, com a frase que representam ao lado de cada uma, e cartazes.

Avaliei a criatividade, participação ativa em todas as atividades propostas, interesse,estética e conteúdo nas atividades apresentadas(cartazes e objetos).Além disso, avaliei a capacidade de dar forma visual as ideias, a inovação, reflexão, inventabilidade e abertura de novas ,através dos cadernos,cartazes,objetos e participação efetiva em todo o processo.

Creio que atingi meu objetivo pois, levei o educando a criar novas possibilidades, transformar o seu conhecimento em um objeto artístico vivenciando novas emoções e reflexões relacionando três áreas distintas (artes, história e português), mas que foram trabalhadas de forma muito proveitosa através da interdisciplinaridade.

O meu projeto está documentado com textos, fotografias de todo o processo, produções dos alunos através de fotos, as apresentações e imagens que foram utilizadas com os alunos e um cd mostrando resumidamente num clip como unimos diferentes aspectos da arte num único projeto.

Trabalhei em conjunto com a professora de português duas poesias cujo título condiz com meu projeto.

Finalizei com uma autoavaliação sobre o processo e o sentido desse trabalho escolar para a sua própria vida, o relato dos alunos só confirmou o meu sentimento de ter terminado um bom trabalho pedagógico.



A avaliação foi contínua, foi observado organização, limpeza, criatividade, participação, interesse, estética e conteúdo.
Ao final, em círculo, fizemos um debate observando quais imagens representaram melhor cada experiência. Foi feita uma avaliação sobre o que foi assimilado, o que transformou a mentalidade do aluno , terminando com uma autoavaliação sobre o processo como um todo.

Aprendi que sou tão melhor professora, quanto mais eficazmente consigo provocar no educando a sua curiosidade, produzindo a compreensão, superação e interação com o mundo em que vive. Preciso trabalhar na prática a afetividade, alegria, estética, criatividade nas aulas para estimular a produção e construção do saber ensinado.

É preciso respeitar a leitura de mundo do educando e da comunidade onde está inserido. É fundamental esse trabalho de arte na adolescência como necessidade de equilíbrio emocional e autoconhecimento.

Isso também contribui para a preparação de indivíduos que percebam melhor o mundo em que vivem e nele possam atuar.
Educar o nosso modo de ver, observar e sentir é importante para transformar e ter consciência de nossa participação na realidade cotidiana.

Dessa forma estimular através de dinâmicas e artes visuais uma reflexão interior à sua produção artística pessoal é fundamental.

Essa nova percepção reflexiva visou estimular o fazer artístico e contribuir para o fortalecimento da consciência reflexiva e criadora do aluno, valorizando a sua auto-confiança e produção artística pessoal.

Desenvolver um novo olhar, entendendo a importância da apreciação e estética em cada atitude de nossas vidas.
Além disso, procurou sensibilizar o grupo para saber ouvir o outro, respeitando o momento e fala de cada um e relacionar letras de música com sua própria vida.

Referências bibliográficas

Textos e imagens foram selecionadas do site Google.

Brasil. Secretaria de Educação Fundamental.
Parâmetros curriculares nacionais : terceiro e quarto
ciclos: apresentação dos temas transversais / Secretaria de
Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1998.

BARBOSA, Ana Mae. A Imagem no Ensino da Arte. São Paulo: Perspectiva: Porto Alegre: Fundação IOCHPE, 1991.


São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica.
Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para o Ensino
Fundamental : ciclo II : Artes / Secretaria Municipal de Educação – São Paulo : SME /
DOT, 2007.
136p.

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