Sala de Leitura
Monografias e Teses

As Monografias e teses aqui apresentadas são de responsabilidade de seus respectivos autores. O Instituto Arte na Escola propõe sua leitura como fonte de pesquisa e estudo.

O corpo da criança pela vivência de jogos teatrais

Nível: Especialização, 2004
Universidade: UFMA
Abordagem através do jogo teatral dos aspectos motores da criança em sua fase de desenvolvimento entendendo sob este foco como o jogo teatral pode ser trabalhado nos âmbitos escolar e familiar. Este é o conteúdo da mini-monografia elaborada e defendida pelas alunas Flávia Marques, Fabiana Cruz e Jacyane do curso de Licenciatura em Educação Artística na disciplina Oficina de Dança com direção da professora Tânia Ribeiro, com o título: A Motricidade e o desenvolvimento corporal das crianças através de jogos teatrais. O então trabalho alia ainda como estudo a expressão corporal e a criatividade. O nosso instrumento de apoio nessa pesquisa é o jogo teatral, para se alcançar e atingir o grande alvo, que é hoje tão discutido por vários teóricos de diferentes áreas do conhecimento – o corpo. Recortando ainda mais, é no corpo que se desenvolve que queremos chegar, o da criança, que em seus primeiros anos recebem, de acordo com educação que tem (de pais e mestres), uma postura, aquela que poderá marcar sua vida na fase madura. Existem no processo de desenvolvimento corporal da criança características que devem ser trabalhadas na educação formal e no lar: gestos, expressões e posturas, muitas delas adquiridas e outras naturais do indivíduo. Esses pontos são suficientes ferramentas no bom direcionamento de um jogo teatral infantil, considerando, é claro, as possibilidades que esse corpo imaturo pode atingir. Os outros dois aspectos, criatividade e expressão corporal, estudados e presentes na Mini-monografia, são posteriormente observadas com cuidado no processo, pensando-se que os dois unem-se naturalmente; um está em busca do outro. Além disso este trabalho requer mais tempo de convivência, onde a criança já conhece o seu professor, já interage melhor com o grupo, tem mais possibilidades de criar haja vista a quantidade de movimentos realizados, de jogos repetidos. O professor, nesse caso, também precisa conhecer seus pequeninos, para saber lidar com exibição e timidez. Dentro desse estudo o objetivo maior é mostrar a importância dos jogos teatrais no desenvolvimento físico, mental e social da criança que refletirá na sua vida futura. A pesquisa é apenas bibliográfica, mas buscamos em vários autores não só do teatro como também da educação e da saúde que vêm completar a pesquisa. Apresentamos, para mais afirmação, um capítulo que fala de uma didática específica para se trabalhar com jogos teatrais. Existem várias vertentes que se preocupam com o corpo: uma delas é a que tenta associá-lo ao lado emocional, o corpo que se expressa de acordo com as suas necessidades. É nesta que queremos adentrar e defender. O jogo teatral torna-se cúmplice nesse caso, resgatando a tão falada expressividade, que no nosso século já não anda tão em evidência. As crianças não despertam muitas habilidades, concentram-se em aparelhos eletrônicos que tomam boa parte de seu tempo. É possível então atrair as crianças para o lúdico no jogo? Assim como o mercado as consegue fácil porque aproveita-se do desejo imediato de se ter algo e do imitar, próprios das crianças, também o educador pode aproveitar-se dessas qualidades e da imaginação. Aliando essas qualidades ao prazer de brincar, de representar, pode-se iniciar um jogo pois, segundo Maria Junqueira, “tudo pode servir de pretexto para o exercício do jogo teatral. É uma personagem que se quer encarar, um animal que se deseja representar, um objeto que adquire vida própria ou uma fantasia que se deseja tecer. Brincar de mestre-escola, de mãe, de padre, de soldados, de médico; representar um cachorro, uma festa, atos da vida cotidiana, professores, lendas folclóricas, fábulas, histórias conhecidas, enfim, tudo o que pode ser observado ou imaginado e sentido, leva a gestos sinceros e traduz uma experiência real.” É uma forma de brincar que faz reagir a desinibição, fazendo a criança se expressar corporalmente ao imitar. Da mesma forma que é propícia a sala de aula para o trabalho do jogo teatral, também o lar é lugar facilitador a ele. Os pais podem proporcionar momentos de jogo aproveitando as horas de lazer; tornando-se um deles, podem imaginar juntos, sem esquecer que no jogo teatral não há superiores, mas apenas direcionamento. No jogo teatral todos devem ser iguais e participantes realizando novas experiências. Nesse ponto, a pesquisa mostra ainda que o jogo teatral é uma boa oportunidade para se educar, pois através dele é possível discutir assuntos diversos da vida social, uma delas, por exemplo, é ter responsabilidade. Segundo Maria Junqueira, “o jogo teatral incentiva, integra a grupos, desperta a criatividade e traz prazer e alegria e favorece a identificação, pois toda criança gosta de ser outra.” Aprende-se brincando. As crianças atualmente não exercitam seu copo como antes. Há algum tempo atrás, a motricidade infantil era bem mais efetivada através das brincadeiras e das cantigas de roda que quase sempre eram acompanhadas da gestualidade. Podemos associar a este aspecto “ além de outros, que não nos cabe aqui tratar” o motivo pelo qual algumas crianças não tenham bom rendimento escolar. O desenvolvimento dos jogos eletrônicos está aí para comprovar o quanto a motricidade corporal de um modo geral vem sendo abandonada na vida das nossas crianças. A instituição escolar também vem contribuindo para esse não desenvolvimento corporal pois incentiva mais o desenvolvimento intelectual não levando em consideração, que uma boa pedagogia deve permitir o desenvolvimento das potencialidades da criança facilitando a sociabilidade e o equilíbrio biopsicossocial. Pensando no desenvolvimento educacional que tenha a preocupação de um desenvolvimento integral da criança ( levando-se em consideração o corpo e a mente em conjunto ), os jogos teatrais podem ser utilizados como um método a ser empregado pelos orientadores escolares. O processo pedagógico na educação motora leva a criança e/ou o adolescente a exercerem uma desinibição voluntária, desde que os jogos e as brincadeiras realizadas proponham movimentos espontâneos e que se espelhem no cotidiano do aluno, unindo a técnica às experiências vivenciadas por ele. Para a realização dos jogos teatrais é preciso que o educador tenha claro em seu direcionamento que é apenas um orientador, visto que as crianças em geral, são muito criativas. Deve-se ter muita cautela em realizar interferências para que não se cometa atitudes imprudentes que cause o tolhimento da criatividade expressiva da criança. O orientador não deve corrigir, deixando claro que a criança está errada, pois ela precisa se sentir desinibida e a vontade para participar dos jogos. Cabe a ele então dar sugestões para que não seja algo imposto e sim suscetível à aceitação ou não. O professor tem no jogo teatral um forte aliado para desenvolver atividade que possibilite a discussão de vários temas. Através do jogo a criança cresce socialmente, “cria, sem seu próprio nível, tem as lutas e conquistas da vida social desenvolvida. (...) a criança se aproxima gradativamente das duras realidades da vida adulta.”, afirma Richard Courtney quando fala sobre a importância do jogo para o psicólogo social, em Jogo, Teatro e Pensamento. Também mcDougall apud Courtney diz que, em termos gerais, “ “o jogo tem sua participação na influência socializante da arte: fornece mútua compreensão e simpatia, que se desenvolve em vida coletiva de um povo.”” O jogo teatral com toda a sua complexidade é útil no desenvolvimento do potencial expressivo do corpo e da mente, apresentando-se como uma excelente ferramenta na educação de crianças e adultos, dentro das várias fases do desenvolvimento motor do indivíduo, sendo que o educador deve levar em conta as especificidades de cada fase desta evolução. Os elementos a serem trabalhados ajudam no aumento do potencial criativo, estimula o participante a perder sua inibição, incentivando-o a conviver em grupo proporcionando a compreensão da dimensionalidade do raça humana, apoiando-se também em suas modalidades sensoriais. A arte do teatro, possui enorme valor enquanto elemento sociabilizador, esse fator é preponderante ao amadurecimento da inteligência emocional, ponto este fundamental na agilidade do ser humano no ato de resolver problemas. No processo educacional, o jogo requer o uso de poucos recursos materiais pois apoiá-se principalmente na imaginação, sendo assim um elemento pedagógico de fácil acesso. Vemos claramente a importância desta atividade artística na formação da personalidade do indivíduo. O jogo segundo Slade “é uma válvula de escape, uma catarse emocional” (...) “o objetivo do jogo dramático é sensacional pelas experiências pessoais e emocionais.” Na escola a criança e/ou o adolescente precisam exercitar, assim como melhorar seu poder de comunicabilidade verbal e corporal para na fase adulta serem mais seguros e expressivos em suas relações pessoais e na sociedade em geral, e o ambiente escolar é totalmente propício ao fazer teatral que enquanto arte de caráter coletivo se faz presente na educação podendo atingir estes propósitos se direcionados de forma correta. Percebemos notoriamente que a motricidade possui um crescimento gradativo neste processo, isto se dá através de uma vasta variedade de possibilidades de se trabalhar a gestualidade do jogo teatral, podendo usar-se uma série de exercícios de improvisação ou aplicar seqüências variadas de atividades de expressão corporal que tenha o mesmo objetivo. Ingrid Koudela em Jogos Teatrais diz: “identificamos o sistema de jogos teatrais a possibilidade de trabalhar a significação do gesto. O processo se fundamente no jogo e na ação improvisada. O que diferencia o método e a seqüência gradual de problemas solucionados, que levam não apenas à libertação da ação lúdica, mas também à decodificação da estrutura da linguagem.” A improvisação teatral induz os indivíduos participantes de um grupo a passarem de forma unificada por um processo de criação coletiva, que estimulará o desenvolver de seu potencial criativo e o amadurecimento da inteligência emocional, esses elementos associados a exercícios corporais torna-se uma ferramenta auxiliar no crescimento da motricidade tanto em crianças como em adultos. BIBLIOGRAFIA ARAÚJO, Vânia Carvalho de; O jogo no contexto da Educação Psicomotora. Ed. Cortez, 1992; COURTNEY, Richard; Jogo, Teatro e pensamento. Editora perspectiva, 1980; NEGRINI, Airton; Educação Psicomotora – a lateralidade e a orientação espacial. Editora Pallotti, 1986. 1 edição; SLADE, Peter; O jogo Dramático Infantil. Summus editorial, 1978. volume 2; SCHMIDT, Maria Junqueira; Educar pela Recreação. Rio de Janeiro: Editora Agir, 1964; KOUDELA, Ingrid; Jogos Teatrais

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  • Alécia Cinara Evangelista de Sousa, 12:29 - 03/08/2014
    Gostei da tese defendida, principalmente da parte que fala da importância da expressão corporal para o teatro. A pessoa que busca estudar Arte deve entender que tem obrigação de conhecer um pouco de cada linguagem artística seja: dança, teatro, musica...

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